jueves, 28 de febrero de 2008

Poliginia II

Poligamia e Poliandria
Engels

Antes de pasar à monogamia, à qual a reversão do direito materno proporcionou um desenvolvimento rápido, digamos ainda algumas palavras sobre a poligamia e a poliandria. Essas duas formas de casamento não podem ser consideradas senão como exceções, por assim dizer produtos de luxo da história, a menos que elas não se apresentem num país uma ao lado da outra, o que, sabemos, não é o caso. Os homens excluídos da poligamia não podendo, portanto, consolaram-se aos pés das mulheres deixadas de lado pela poliandria, e tendo permanecido, até aqui sensivelmente igual o número de homens e de mulheres, sem levar em conta as instituições sociais, é, impossível, logicamente, que uma ou outra dessas formas de casamento se tornem gerais. De fato, a poligamia dum homem era um produto evidente da escravatura e limitado a casos excepcionais isolados. Na família patriarcal semítica, o próprio patriarca e alguns de seus filhos, ou todos eles, vivem em poligamia; os outros são obrigados a contentarem-se com uma única mulher. Ainda assim é no Oriente; poligamia é um privilégio dos ricos e dos grandes, que têm a possibilidade de comprar escravos; a massa do povo vive em monogamia. É uma exceção análoga a poliandria na índia e no Tibet, cuja origem, sem dúvida interessante, vinda do casamento por grupos, fica para ser estudada mais profundamente. Na sua prática, ela parece ainda mais atraente do que a organização do hárem ciumento dos maometanos. Entre os Naires da índia, ao menos, três ou quatro, ou mais, possuem, é verdade, uma mulher comum, mas cada um deles pode ter em comum com vários outros homens uma segunda mulher, e mesmo uma terceira, uma quarta, etc.
http://www.pco.org.br/biblioteca/mulher/poligamiapoliandria.htm

ENGELS, Friedrich: A origem da família, da propriedade privada e do Estado, p. 45-46. Ring Verlag (Ed. al.).

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